terça-feira, 5 de abril de 2011

Ele me cansou mas um cigarro, um café -/- anima até um maníaco ante uma multidão portanto me questiono sobre plataformas, objetivos, saídas, os pedaços que voam longe, radicalmente

uma janela se comunica a uma ave, de rapina, do dia.

O pássaro eu/ eu comedor agora, aqui e ele visivelmente

voa perto:

Acima nunca chão seguro

Antenas transmitem sinais de fogo / ele voa com olfato de longe

com gosto de sangue / esta substancia transporta morte e cor

de lamber os beiços e bicos que voam.

Meu urubu de estimação, ave, ave, o verme do céu, belo e assustador esta fênix .

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A NECROPSIA DE LEILA

A NECROPSIA DE LEILA

Necrotério.

Medico legista chega para iniciar autopsia.

Medico- identificação

Enfermeiro (lendo ficha) – Leila Gomes Lopes (talvez trocar nome) mulher, 50 anos, atriz.

Médico – bisturi.

Enfermeiro passa o instrumento.

Cortando o corpo.

Médico – com todo esse silicone, fica mais difícil a incisão, se estouro este saco, faço um estrago.

enfermeiro – Foi bonita ela. Mulherão. Você viu o filme?

Médico – Cara, ainda não vi. É bom?

Enfemeiro – tem ação , mas falta um Gang jump. Mesmo assim vale. (olhando o corpo sendo manipulado)

pausa

Médico – sacrilégio. Eu sou ateu, mas ainda assim acho sacrilégio o suicídio.

Enfermeiro – aposto que vai ter enterro cristão. Isso que eu não entendo. Ela fala em Deus na carta, e se mata. Não dá. Ou você acredita em Deus ou você se mata? É que nem cesariana, quem sou eu, meu deus pra marcar hora de nascer, quanto mais de morrer. Só o pai pode dizer a hora das coisas.

Médico – suicídio é a cesariana da morte. ( ele ri de seu próprio comentário)

Enfermeiro – a arrogância do homem. Da mulher. Onde já se viu. Deus não perdoa, quem se mata. Eu sei que você é ateu, mas morrer assim. Você há de concordar comigo. É arrogância.

Médico – Que calor da porra! Não vão consertar essa joça desse ar. (Pausa) Não tenho suicidas na minha família. Mas uma prima distante, filha da mulher do meu tio, você acredita? Se matou aos 16 anos. Foi um escândalo na família, a mãe nunca mais foi a mesma. É um estrago. Suicídio, meu amigo, é um estrago.

Enfermeiro seca a testa do médico.

Enfermeiro – cara, se eu fosse rico e famoso, você acha que eu me mataria. Eu hein?! Ia era viver às custas. Devia ser crime duas vezes. Pena que não dá pra prender o cadáver porque ela já era mesmo. Me dá até raiva. Mulher dessas...

Eles ficam sujos de sangue como dois açougueiros. A carne vai sendo cortada, uma luz foco em cima da mulher no ultimo espetáculo – a morte. Costuram o corpo.

Enfermeiro - Você não achou o sujeito meio estranho?

Médico - Quem?

Enfermeiro - O namorado dela?

Médico - Deixa de fofoca, rapaz. Ele tava em estado de choque. É assim mesmo. Ninguém acredita até que acontece.

Enfermeiro - E se acharem que foi ele?

Médico - Como?

Enfermeiro - Sei lá? Matou a mulher. Vingança, herança. Essas coisas.

Médico - Não fala besteira Bob. Tem a carta, e tem o veneno, e tem o calmante. Trancada, só, no quarto. A dor, o suicida se mata de dor. É insuportável viver. Não tem saída, acho que nem dá pra condenar. A pessoa é assassinada pela própria dor. Entra na carne, e te contamina. Como uma doença. Uma morte lenta. Passa a linha.